Aratasaurus museunacionali – Um novo Dinossauro do Brasil
10 de julho de 2020 - 16:20

O exemplar do novo dinossauro foi encontrado no nordeste do Brasil, na Bacia do Araripe, mais especificamente na Mina Pedra Branca, que fica no Ceará, entre as cidades de Nova Olinda e Santana do Cariri. Nessa região afloram as rochas da Formação Romualdo, depositadas em um ambiente aquático, de águas calmas. Nesta unidade já foram coletados milhares de fósseis, geralmente peixes, cuja preservação excepcional em nódulos calcários é reconhecida mundialmente. Ocasionalmente também são encontrados outros vertebrados, como pterossauros (répteis alados), crocodilomorfos e, mais raramente, dinossauros.

Aratasaurus, no entanto, não foi preservado em um nódulo, mas é mais antigo, tendo sido descoberto em uma parte mais na base da Formação Romualdo. O fóssil encontra-se preservado em folhelhos, que são um tipo de rocha escura, de granulometria muito fina, cujas lâminas se descamam facilmente. A idade de Aratasaurus é estimada entre 115 e 110 milhões de anos, (Cretáceo Inferior). Somente o membro posterior direito do animal foi recuperado. O fóssil foi encontrado por um morador da região que o repassou para o antigo diretor – e fundador – do Museu de Santana do Cariri, Dr. Plácido Cidade Nuvens (1943-2016).

Curiosamente, Aratasaurus não é proximamente relacionado a outros dinossauros encontrados na Formação Romualdo, como o famoso Santanaraptor e o espinossaurídeo Angaturama. A nova espécie tem um parentesco mais próximo com um celurossauro chinês: Zuolong sallei, encontrado em rochas com 160 milhões de anos em Xinjiang, noroeste da China. A descoberta brasileira indica a existência de uma diversidade maior dos celurossauros basais, distribuídos geograficamente de uma forma bem mais ampla do que se supunha.

O fóssil pertence ao Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri e estava emprestado à paleontólogos do Museu Nacional/UFRJ para preparação e estudo. Felizmente, o exemplar não se encontrava no palácio quando ocorreu o incêndio de 2018, mas em um laboratório localizado na edificação ao lado. Desta forma, na hora de “batizar” o novo dinossauro, os autores do estudo resolveram simbolizar a situação vivida pelo Museu Nacional e do exemplar com um nome bastante original, criado a partir da junção dos termos “ara” e “atá” que na língua Tupi significam nascido e fogo, e “saurus” que vem do grego (lagarto) e é muito utilizado na denominação de répteis. A designação da espécie – museunacionali – é uma referência ao primeiro museu fundado no país, em 1818.
O estudo é de autoria de Juliana M. Sayão, Antônio Á. F. Saraiva, Arthur S. Brum, Renan A. M. Bantim, Rafael C. L. P. de Andrade, Xin Cheng, Flaviana J. de Lima, Helder de Paula Silva e Alexander W. A. Kellner e foi publicado na revista Scientific Reports do grupo Nature.